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Benefícios do “Amor às coisas vivas” Biofilia

Saímos do inverno, estamos na primavera, estação com temperatura amena, o aumento da umidade do ar, o início das chuvas e da floração de diversas espécies de plantas que mudam as paisagens nos jardins dos quintais e nas ruas, enchendo-os de variadas cores de flores como Girassol, Hortênsia, Dama-da-noite, Orquídeas e Tulipas.

A estação muda o comportamento dos animais, os beija-flores e as abelhas aumentam a polinização interferindo no ciclo reprodutivo dos vegetais, os pássaros cantam enquanto outros saem da hibernação. Que esse novo ciclo inspire nossa vontade de viver bem!
 

Por milhares de anos, a humanidade viveu conectada à natureza, mas em algum momento afastou-se dela para satisfazer necessidades, desejos e os resultados após cem anos de industrialização são mudanças climáticas, desastres naturais e prejuízo na saúde física e emocional. O termo Biofilia significa “Amor às coisas vivas” e foi usado nos anos 60 pelo psicólogo Erich Fromm e popularizada nos anos 80 com o biólogo Edward Wilson que a define como “tendência natural a voltarmos nossa atenção às coisas vivas”. Para ele “as crianças devem sair da frente do computador e da TV, serem envolvidas com a natureza em um processo educacional: caminhar em ambientes naturais, observar de perto os seres vivos”. Precisamos desligar os celulares e nos conectar à natureza.

Precursor do design biofílico em projetos arquitetônicos e urbanos, Stephen Kellert definiu as experiências direta e indireta com a natureza e a experiência com o espaço e o lugar como pilares desse conceito. Através dos elementos ambientais (cor, água, ar, animais), das formas naturais (padrões botânicos, abóbodas, suportes de árvores), dos padrões e processos naturais (crescimento e eflorescência), da luz e do espaço (luz natural e difusa, espelho d´água), da relação com o local (conexão geográfica, histórica, ecológica e cultural) e da relação humana com a natureza (refugio, ordem, mistério, afeto e atração) é possível promover o bem-estar, o conforto emocional e melhorias na saúde física e mental das pessoas.

Não se trata de modismo ou apenas colocar plantas num ambiente, porque esses seres vivos necessitam de solo, água, luz e outros cuidados, inclusive conversar com elas; diria nossa mãe ou avó. Busque orientação profissional na área de paisagismo para o projeto e a manutenção adequada. O custo e o benefício devem ser avaliados, pesquisas apontam o aumento da produtividade em escritórios que aplicaram o desenho biofílico, se trata de um investimento na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Ambientes hospitalares, escolares, consultórios e residências são outros exemplos onde o design biofílico pode ser aplicado, após estudo preliminar.

Precisamos repensar nosso modo de construir, de trabalhar e de viver. Precisamos nos reconectar com a natureza para o nosso bem-estar e saúde física e mental