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Projeto Arquitetônico e Luminotécnico

Pesquisas comprovam que há grandes benefícios do contato com a luz natural na saúde, no bem-estar e no humor do ser humano. A exposição ou não à luz afeta a produção de hormônios como a melatonina, que é importante para a regulação do organismo e manutenção da saúde.

“Durante a quarentena, muitas pessoas tiveram de adaptar seus lares para trabalhar ou estudar, percebendo a importância da iluminação natural e artificial para desenvolver suas atividades com segurança e conforto”, comentou o arquiteto Robson Martins, professor e coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Módulo.

Nos tempos atuais, mais do que nunca se faz presente o conceito de sustentabilidade. Nesse sentido, arquitetos desenvolvem projetos arquitetônicos que aproveitam a luz natural bloqueando o espectro infravermelho, nocivo aos materiais e à saúde, através do estudo da insolação, considerando a mudança do azimute e do zênite ao longo do dia e do ano, permitindo projetar aberturas de iluminação natural a fim de que o uso do sistema auxiliar de iluminação com lâmpadas seja acionado de modo gradativo e racional.

“O projeto arquitetônico deve atender as normas brasileiras que estabelecem o mínimo de Área de Abertura Iluminante (AAI), entrada da luz natural no ambiente e o projeto luminotécnico deve atender a ABNT NBR ISO 8995 – 1 que estabelece os parâmetros quantitativos e qualitativos para os projetos de iluminação artificial de espaços interiores”, explica Robson Martins.

De acordo com o arquiteto, esse trabalho é desenvolvido em etapas: levantamentos, análises, diagnósticos e proposta, atendendo o entendimento das necessidades do cliente, as respostas emocionais das pessoas e das intenções do projeto arquitetônico, o conceito da iluminação qualitativa e quantitativamente, sistemas utilizados e investimento envolvido.

“Busco trabalhar a iluminação geral, a de tarefa e a de destaque, geralmente criando diferentes cenários no mesmo ambiente através desses três sistemas, sem comprometer o conforto visual das pessoas. A especificação adequada da fonte de luz, o fluxo energético, o fluxo luminoso, o índice de reprodução de cor, a temperatura de cor etc e o tipo de luminária, levando em consideração o design, a tecnologia, a economia de eletricidade, a manutenção e a curva de distribuição que atendam o conceito da proposta”, revelou.

Robson recomenda que em áreas de closets se distribua a iluminação necessária para a escolha da roupa de maneira que as portas dos armários ou as gavetas não obstruam a luz. “Nas áreas em que estão instalados espelhos, busque posicionar as luminárias orientadas de tal maneira que iluminem o corpo das pessoas e não o espelho, por exemplo”, diz.

Cozinhas e banheiros também requerem cuidados porque geralmente possuem iluminação natural deficiente, por isso a iluminação artificial desses ambientes deve atender a diversas atividades, tais como cozinhar ou secar, escovar, tingir os cabelos, maquiar o rosto ou se barbear.

A refletância é outro fator importante no projeto luminotécnico porque está relacionado à escolha dos acabamentos (piso, parede e teto). O uso de cores ou materiais com baixa refletância pode prejudicar, por isso a escolha deve ser sob orientação profissional, evitando o excesso de cores claras que podem causar desconforto visual. “Sugiro bom senso e equilíbrio no conceito, comentou o arquiteto.

“As pessoas perceberam a importância dos projetos arquitetônicos e luminotécnicos desenvolvidos por profissionais da área, que conseguem ver os benefícios que o aproveitamento da luz natural pode trazer no desenvolvimento das tarefas ou na qualidade de vida das pessoas e como o sistema auxiliar de iluminação artificial pode proporcionar economia e contribuir com a preservação dos recursos naturais”.