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Startups apostam em compra, reforma e venda de imóveis

Diante da crise econômica nos últimos anos, a construção civil teve sua margem de lucro reduzida, o que abriu espaço para a inovação. Neste cenário, surgiram empresas dispostas a escalar negócios no segmento imobiliário, o que até então era difícil em razão do alto valor dos seus ativos (casas, apartamentos, etc) e das burocracias inerentes.

De acordo com o levantamento feito pela Construtech Ventures, empresa que cria, investe e colabora com startups dos setores de engenharia, construção e imobiliário, atualmente existem mais de 500 empresas de tecnologia atuando no Brasil, que oferecem tecnologia para diferentes etapas da cadeia de construção, começando pelo planejamento, o desenvolvimento de projetos e até a comercialização de empreendimentos.

Vender um imóvel rápido nem sempre é uma missão fácil. Baixa liquidez e longa espera por um comprador podem ser um tormento. Claro, tendo como objetivo apurar um valor razoavelmente justo. Por outro lado, comprar um apartamento e ter que realizar uma grande reforma também é sinônimo de dor de cabeça para muitos.

O resultado acaba sendo uma sequência de frustrações e indefinições. Para servir estes dois públicos, surgiram as proptechs focadas em compra, reforma e venda de imóveis com o principal desafio de equacionar seus custos, garantir a eficiência e escalar seus negócios.

Os principais nomes do setor no Brasil são as paulistanas Loft e Keycash, especializadas na compra, reforma e revenda de apartamentos de médio-alto padrão em algumas regiões específicas de São Paulo. As plataformas utilizam algoritmos para calcular uma proposta de compra “justa”, fazem uma oferta e após uma vistoria no imóvel pagam à vista. Em seguida, realizam uma reforma e disponibilizam o imóvel para venda com garantia ao comprador. O grupo ZAP, tradicional pelo site de classificados de imóveis, também começou a atuar neste segmento com ousadas projeções de crescimento e expansão.

Este novo modelo de negócio ajuda a dinamizar o mercado e reduzir o ciclo de venda dos imóveis. Além disto, preza pela participação das imobiliárias e corretores de imóveis nas transações.

O que se percebe, é que o setor, tecnologicamente atrasado no Brasil em comparação com outros países, dá passos largos rumo à digitalização, tendo como premissa a preocupação em sanar as dores latentes dos consumidores que em algum momento da vida precisam desses serviços. Certamente, há quem prefira vender seu apartamento de R$ 1 milhão por R$ 800 mil em trinta dias, do que esperar um ou dois anos para talvez receber uma proposta. E ainda, o comprador que não pretende passar pelo estresse de uma reforma, adquirir um imóvel “novinho” e ainda incluir este valor da obra no financiamento imobiliário, por exemplo.

Vinicius Nunes – CRECI 145.140-F [email protected]